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Vírus HTLV-1: mais de 800 mil brasileiros atingidos

Pouco conhecida, esta é uma doença causada pelo vírus linfotrópico de células T humanas (ou vírus HTLV-1).

Vírus HTLV-1: mais de 800 mil brasileiros atingidos
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Apesar do grande número de infectados, é pouco conhecido e pode impedir a capacidade de andar

Desde criança, Erika G.P. Archanjo, hoje com 31 anos, sempre tropeçava e caia. Ela e sua família sempre desconfiaram se tratar de problema ortopédico. No entanto, aos 25 anos, sentiu fraqueza nas pernas e percebeu muita dificuldade para se levantar.

Um ano depois recebeu seu diagnostico: sofria de paraparesia espástica tropical, que paralisa e incapacita as pessoas.

Pouco conhecida, esta é uma doença causada pelo vírus linfotrópico de células T humanas (ou vírus HTLV-1). No Brasil, cerca de 800 mil pessoas estão infectadas. Mas dependendo da fonte, este número pode atingir 2,5 milhões. No mundo há algo em torno de 10 a 15 milhões de pessoas portadoras da doença.

Este vírus, da família de retrovírus humanos e também da família do HIV, foi o primeiro a ser descoberto, em 1980.

Sintomas e consequências

O vírus pode ficar em repouso no DNA das pessoas, como também pode causar duas doenças em 5 a 10% dos portadores:

  • Mieloplastia associada ao HTLV-1 ou paraparesia espástica tropical, incapacita o portador de andar;
  • Leucemia linfoma de células T do adulto, muito agressiva, é um tipo de câncer do sangue, e em dois anos causa a morte do paciente.

Outros sintomas como dor lombar, fadiga, cãibras, constipação intestinal, dor muscular, inflamação nos olhos, disfunção urinária e sexual e depressão podem surgir.

Sem dúvida, o lado emocional do portador fica muito fragilizado.

Demora na manifestação dos sintomas

Entre a infecção pelo HTLV-1 e o desenvolvimento da doença há um tempo longo, pois esta geralmente ocorrerá por volta dos 40 anos de idade do infectado. Dessa forma, por muito tempo ele permanece como portador assintomático.

Os números relacionados a este vírus são ainda muito escassos e contraditórios. A população reconhece que no Brasil e no mundo pouca atenção é dada a estas doenças. Médicos pesquisadores da área reclamam falta estrutura e ações específicas, como programas nacionais para erradicação.

Não há cura para estas doenças, mas também não constam na lista de doenças negligencias pela OMS – Organização Mundial da Saúde.

Desconhecimento no atendimento

O desconhecimento no atendimento realizado pelos profissionais da saúde é outro motivo pelo longo período entre sintomas e diagnóstico. Há casos de portadores que passam por mais de 20 médicos até que chegam a um médico familiarizado com o vírus. A sorologia, exame que custa apenas R$3 é capaz de identificar a doença.

Para informar a sociedade e autoridades da área da saúde, a Associação Internacional de Retrovirologia (RVA) instituiu em 10 de novembro o Dia Mundial do HTLV.

São três as formas de transmissão do vírus:

  • Parental (transfusão de sangue e compartilhamento de material contaminado durante uso de drogas);
  • Sexual (sexo sem preservativo);
  • Vertical (aleitamento materno prolongado, gestação e parto).

Desde 1993 a sorologia para HTLV tornou-se obrigatória em todos os bancos de sangue do país, reduzindo a primeira via de disseminação.

Campanhas, muito importante sua realização

No Japão, campanhas para testar gestantes e orientar mães lactantes portadoras do vírus HTLV conseguiram reduzir a prevalência da doença de 20,3 para 2,5 % em 20 anos.

Especialistas da área reconhecem que o Brasil precisa tomar medidas para que os números em nosso país pelo menos parem de crescer

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