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Retirada do útero pode prejudicar a memória de trabalho

Ou seja, basicamente o que os estudos confirmam é que útero não tem função que não seja apenas na maternidade.

Retirada do útero pode prejudicar a memória de trabalho
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Até hoje, o que a grande maioria das mulheres são ensinadas sobre obstetrícia e ginecologia é que com exceção da gravidez, o útero não exerce nenhuma função de interação com os outros órgãos do corpo.

Ou seja, basicamente o que os estudos confirmam é que útero não tem função que não seja apenas na maternidade.

Entretanto, uma nova pesquisa realizada na Arizona State University (Universidade do Estado do Arizona), nos Estados Unidos, chega para mudar todos esses antigos conceitos e definições relacionadas à função do útero.

Esse novo estudo vem desafiando a crença de longa data de que útero é apenas um órgão monofuncional.

Isso porque, diferente de tudo que foi ensinado, a grande confirmação de estudos recentes voltados para a obstetrícia é que o útero tem influência no cérebro. Sua retirada influencia diretamente na memória.

De maneira mais resumida, a remoção uterina acaba prejudicando a memória espacial, ou memória de trabalho. E explicaremos o porquê.

Em um estudo realizado com ratos, a pesquisadora Heather Bimonte-Nelson, junto aos seus colegas, conseguiu constatar que a remoção desse órgão – o útero – que consiste em um processo cirúrgico conhecido como histerectomia – tem influência direta na memória funcional.

Tais descobertas, divulgadas na revista científica Endocrinology, sugerem que o útero tem uma comunicação com o cérebro, influenciando inclusive em processos cognitivos.

Segundo a equipe de Bimonte-Nelson, aproximadamente um terço das mulheres já foram submetidas à remoção uterina antes dos 60 anos, e grande parte desses procedimentos cirúrgicos ocorre antes da menopausa.

Os motivos mais comuns para a realização da histerectomia são os miomas (lesões benignas, mas dolorosas), endometriose, hiperplasia (quando o revestimento do uterino é espesso de forma anormal, o que acaba causando sangramentos intensos), câncer e prolapso uterino.

Bimonte-Nelson ainda aponta algumas pesquisas que demonstram que mulheres que se submeteram ao procedimento de histerectomia, ainda que mantenham seus ovários, correm maiores riscos de demência caso a cirurgia ocorrer antes do período da menopausa natural.

Como foi realizado o estudo

Para realizar esse estudo, a equipe utilizou quatro grupos diferentes de fêmeas de ratos, e em quatro intervenções. Um grupo pertencia à histerectomia, um grupo à histerectomia — mais a ooforectomia (remoção cirúrgica dos ovários), — um grupo era do controle sem o procedimento cirúrgico e, por fim, um grupo de processo cirúrgico simulado. Cada grupo continha de 14 a 15 ratos.

Após 6 semanas da intervenção cirúrgica, a memória de trabalho de cada rato foi testada em uma complexa estrutura de um labirinto de água com oito passagens.

No final de quatro passagens, algumas plataformas escondidas foram colocadas onde os animais podiam se arrastar. Esses ratos, então, foram posicionados no centro da estrutura do labirinto e, se nadassem até uma plataforma, eles eram puxados do labirinto.

E assim, gradualmente, os pesquisadores foram modificando de forma proposital os elementos do labirinto para compreender como a memória dos ratos reagiria sob tais mudanças.

Conclusão da pesquisa

A equipe então constatou que as fêmeas submetidas à histerectomia tiveram um resultado mais negativo em se tratando de lembrar as plataformas onde estavam.

Concluíram então que o procedimento cirúrgico da remoção uterina afeta a parte da memória de trabalho, e espacial do cérebro.

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